Inovação: o segredo está na motivação
Editado por Comunidade da Inovação

Uma das características mais marcantes da criatividade e da inovação é o fato de que dificilmente pode se prever exatamente qual será o resultado desta nova empreitada. Edward de Bono, o conhecido autor, palestrante e “inventor do pensamento lateral”, em artigo para o site Management Issues , compara a inovação com a idéia de criar um novo prato: por mais que você conheça os ingredientes que está manipulando, o sabor que este prato vai ter talvez não seja aquele previsto inicialmente.

Os empreendedores têm hoje mecanismos para testes prévios de produtos ou idéias, como projetos-piloto, focus groups, etc, os quais, embora úteis, nem sempre apontam o caminho exato. De Bono cita o exemplo da rede McDonald's nos Estados Unidos, que alguns anos atrás decidiu servir café da manhã em suas lojas. Se já havia o prédio, a estrutura e os funcionários, por que não abrir para o café da manhã? Parecia razoável, mas durante quatro anos a empreitada deu um tremendo prejuízo porque os consumidores tinham o hábito arraigado de fazer a primeira refeição em casa. Contudo, em vez de simplesmente abandonar a idéia após tanto tempo no vermelho, o McDonald's insistiu até se criar a rotina do café da manhã na lanchonete e hoje este é o setor mais lucrativo da rede. Moral da história, segundo De Bono: é impossível estabelecer um prazo para testar uma nova idéia. Isto porque se leva um longo tempo para mudar hábitos e costumes, muitas vezes refratários à inovação.

Cabe ao inovador prever riscos e utilizar idéias criativas para minimizá-los. Um dos perigos da criatividade é ignorar esse fato. Não basta ter uma boa idéia se não há um plano bem elaborado para implementá-la. De Bono ressalva, porém, que não se pode associar sempre a criatividade a alto risco, caso contrário se criará na empresa uma cultura de se evitar o risco e, em conseqüência, a criatividade. Agindo assim, a empresa certamente funcionará muito abaixo de seu potencial. E, como diz De Bono, quanto maior a eficiência de uma empresa, maior será sua necessidade de criatividade.

Este é um grande desafio às empresas. Max McKeown, consultor europeu de grandes empresas globais, relata a mais freqüente pergunta que lhe é feita por executivos e líderes empresariais: “Como me motivar e como inovar?”. Para ele, são dois lados de uma mesma questão: a inovação motiva e a motivação inova. O oposto também é igualmente verdadeiro: a indiferença mata a inovação e a incapacidade de inovar mata a motivação. E a indiferença é uma das causas de bloqueio das artérias de uma empresa.

Um grande filme, um livro, um carro, uma casa ou programa de computador são inteligentemente projetados para elevar os padrões de vida e ampliar capacidades. Mas o ambiente nas empresas, segundo diagnostica McKeown, trabalha no sentido inverso, baseado em funcionários desmotivados, reuniões inúteis e mal preparadas, planejamento feito no joelho, etc.... A inovação, alimentada pela motivação de mudança, pode ser a saída para revolucionar os ambientes de trabalho.

Redação


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