A maior poluição em 4 milhões de anos



O alerta vem da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês): em maio, a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera da Terra atingiu 419 partes por milhão, seu nível mais alto em... quatro milhões de anos (!). Depois de passar por um confinamento em 2020 por causa da pandemia do coronavírus, o planeta retomou suas atividades econômicas e maior circulação de pessoas, provocando esse aumento histórico.

Segundo o estudo da NOAA, anualmente despejamos 40 bilhões de toneladas métricas de poluição de CO2 na atmosfera, o que pode provocar uma mudança climática catastrófica se não adotarmos imediatamente medidas para reduzir a zero essas emissões. Isso porque o dióxido de carbono é um gás de efeito estufa (GEE) que permanece na atmosfera por centenas de anos. E no século passado sua emissão aumentou basicamente por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis.


Alertas não faltam. Estudo recente da Lancet Countdown avalia que altas emissões de carbono e mudanças climáticas já estão afetando a saúde de crianças em todo o planeta. Considerando que elas ainda têm uma vida toda pela frente, sua saúde pode estar ameaçada, por exemplo, pelo aumento de doenças contagiosas como a dengue. Para chegarem saudáveis em 2050, é preciso combater já as emissões.


Embora o Acordo de Paris, que contou com a participação de 196 países, tenha estabelecido já em 2016 medidas para reduzir o aquecimento global, a Organização das Nações Unidas considera sua adoção na prática ainda insuficiente, o que tornará difícil cumprir a meta estabelecida de limitar o aumento de temperatura a 2º C até o final deste século. O que é preocupante, considerando que hoje já poderíamos estar muito mais avançados no uso de sistemas de energia eólica e solar, bem mais baratos que os combustíveis fósseis. E sem poluição.


Paralelamente, a ONU está lançando o projeto Década de Restauração de Ecossistemas (2021-2030) para prevenir, interromper e reverter a degradação global. Replantar e proteger florestas, limpar rios e mares e tornar cidades verdes não só se fortalecerão o desenvolvimento sustentável, como também gerarão16 milhões de novos empregos até 2030, criando oportunidades de negócios de 230 bilhões de dólares, argumenta a ONU.


O papel da ESG


Sigla em inglês para “Environmental, Social and Governance” (Ambiental, Social e Governança, em português), a ESG é usada para medir as práticas dessas três áreas em uma empresa. Assim, sua aplicação deve buscar formas de minimizar seus impactos no meio ambiente, construir um mundo mais justo e responsável para as pessoas em seu entorno e manter os melhores processos de administração.


Especificamente na área ambiental sua aplicação pode ajudar na conservação do meio ambiente, combatendo, por exemplo, o aquecimento global, a emissão de carbono, a poluição do ar e da água e o desmatamento, entre outros.


Recente pesquisa do Global Network of Directors Institutes (GNDI), composto por 22 institutos de governança em vários países, revela que a atuação socioambiental impacta diretamente todas as partes interessadas, motivando empresas a adotar a agenda ESG para valer, tornando os temas ambientais, sociais e de governança em prioridade em um contexto de pós-pandemia. Foram pesquisados 1.964 conselheiros de 17 institutos em todo o mundo, incluindo 94 brasileiros, que participaram do estudo via IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) entre agosto e setembro de 2020.


Entre as conclusões, destaca-se que com o fim da pandemia, a pauta dos conselhos de administração será totalmente reconfigurada, tornando mais presente a discussão sobre temas ambientais, sociais e de governança, tornando-se prioridade para 85% dos conselhos, enquanto o reposicionamento de negócios será de 82% e a competição por talentos, 81%.


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Imagem: Ralf Vetterle por Pixabay


Paulo Eduardo Nogueira é jornalista formado Master em Jornalismo, autor do livro "Paulo Francis - Polemista Profissional" e editor do blog da Comunidade da Inovação

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