Importância da ESG cresce 7 vezes desde 2020



Adote ESG ou desapareça! A frase pode soar exagerada, mas já está dominando metas estratégicas em muitas empresas no mundo (e no Brasil também, como veremos abaixo). Em grande parte, pela ampla cobertura jornalística que vem sendo feita, o que prova sua importância. A sigla Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança em português) avalia se as organizações adotam posturas ecológicas e cuidam de funcionários, clientes e comunidade, além de checar sistemas de políticas e práticas que possam melhorar suas atividades.


Mas adotar sustentabilidade e preocupação ambiental não significa apenas uma postura altruísta: criando vantagens competitivas, ao seguir exigências e mudanças de políticas empresariais globais, também atrai interesse dos fundos de investimentos (o que mantém viva uma empresa e podem torná-la líder em seu setor).


A origem da ESG não é tão recente. Desde a década de 1970, a partir de debates sobre desenvolvimento sustentável promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), surgiu a defesa dos “negócios verdes”, que respeitem os direitos básicos humanos e enfrentem as mudanças climáticas. Isso evoluiu até chegar ao conceito ESG, ligado à Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Resumidamente, ESG significa:


Environmental (ambiental): atuar na conservação do meio ambiente, enfrentando desafios como poluição do ar e da água (usando energias limpas e renováveis, como eólica e solar), aquecimento global, emissão de carbono na atmosfera, desmatamento e escassez da água, entre outros, além de desenvolver embalagens recicláveis ou que utilizem menos plástico, usar materiais reciclados no escritório, digitalizar o que for possível para reduzir desperdícios e fazer a destinação correta de resíduos e efluentes.


Social: orientar como as empresas devem gerir seus funcionários (permitindo, por exemplo, que as mulheres conciliem carreira e maternidade), proteger dados dos clientes, ter uma equipe diversa e engajada, e respeitar a legislação trabalhista vigente, além de promover projetos sociais com a comunidade local e patrocinar eventos culturais e sociais.


Governance (governança): ligada à administração e à conduta corporativa ética de uma empresa, adotando transparência nas relações com governos, divulgando as principais informações e criando um canal de denúncias e um conselho administrativo de pessoas que não fazem parte da empresa.


Sociedade X empresas


Como vai a ESG no Brasil? Segundo a plataforma Distrito, citando estudo da Rede Brasil do Pacto Global em parceria com a Stilingue, vivemos um boom, com as discussões sobre o assunto crescendo mais de sete vezes entre 2020 e agora. Mas cada um dos três itens têm abordagens diferenciadas: o maior foco da sociedade ainda se concentra nas questões ambientais, embora as principais ações identificadas pelas empresas recaiam em impactos sociais. Ou seja, temos uma forte disparidade entre assuntos de interesse da pauta pública, expectativas comportamentais pelo setor empresarial e as medidas de fato adotadas pelas empresas.


Estudo da Distrito sobre 741 startups ESG enablers, ou seja, que facilitam a implementação da ESG em diferentes negócios, revela que a categoria ambiental é a com o maior número de startups (289), seguida pela categoria social (272) e governança corporativa (241), que representam 35,99%, 34% e 30% de toda base, respectivamente.


Entretanto, considerando os aportes recebidos na última década, a ordem é inversa. Segundo o estudo, a categoria ambiental recebeu o menor volume de investimentos (US$ 149.1M) enquanto a social ganhou a maior percentagem, totalizando US$ 710.4 M, aproximadamente 70% do total. Considerando os investimentos desde 2011, essas startups receberam US$ 991 milhões com soluções em ESG.


Outros estudos confirmam o aumento do interesse pela ESG no Brasil. A consultoria ACE Cortex, por exemplo, pesquisou 343 empresas que desenvolvem soluções ligadas à ESG, constatando que 46% dos empresários e funcionários utilizam programas ESG em suas empresas e 92% acreditam que as premissas ESG ditarão estratégias futuras de negócios. Sobre as três áreas, 180 atuam principalmente em meio ambiente, 130 possuem negócios relacionados ao impacto social e 33 desenvolvem soluções de governança.


Este baixo número relacionado ao último item é consequência de o segmento ser o menos desenvolvido por questões regulatórias, além de temas como governança, compliance e transparência serem considerados inerentes apenas a empresas listadas na bolsa ou multinacionais, explica a consultoria.


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Crédito da foto: Music Art Design by Pixabay

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