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Investimentos bilionários são previstos para controlar o clima e manter a biodiversidade



Mais de duas semanas após o encerramento da COP 27, no Egito, todos já devem ter se inteirado da festejada aprovação de um fundo a ser bancado pelos países desenvolvidos para lidar com perdas e danos dos mais vulneráveis às mudanças climáticas, feito que vinha sendo tentado há 30 anos. Isso pode significar até US $ 1,7 trilhão daqui a 2050, de acordo com um estudo.


Finanças são sempre pontos nevrálgicos nas COPs ou em qualquer plano de sustentabilidade e andam em paralelo às metas de cortes de emissões dos gases de efeito estufa que precisam chegar globalmente a 45% até 2030 para que o aquecimento não ultrapasse o limite dos 1,5° C até o final do século.


Apesar do acordo conseguido para perdas e danos na COP27, lamenta-se a meta perdida de US$ 100 bilhões anuais que os países ricos ficaram de aportar para financiar projetos climáticos dos países em desenvolvimento. “Tendo falhado em fazê-lo, eles agora enfrentam a tarefa de aumentar suas contribuições e reconstruir a confiança no processo”, analisa o reconhecido blog da CarbonBrief (1). Nele, são mencionadas negociações que deverão entrar em vigor a partir de 2025 e números que poderão estar na faixa de US$ 1 a US$ 2 trilhões por ano.


Entre as opções financeiras, também o mercado regulado de carbono, para definir os critérios da venda dos créditos de carbono entre um país que os detém (2), ao ter reduzido sua emissão de dióxidos de carbono, para outro que necessita diminuir suas emissões por não ter atingido suas metas, não chegou a termos definitivos durante esta última conferência. Os avanços mais significativos do marco para o comércio internacional de créditos de carbono ocorreram na COP 26, em Glasgow, no ano passado, chegando a nomear as trocas de créditos de emissões como ITMOs, da sigla em inglês para resultados de mitigação comercializados internacionalmente (3) e (4).

Mas, se os compromissos estabelecidos por estados progridem lentamente, o mercado voluntário de carbono (VCM, do inglês) avança mais rapidamente. Por meio dele, empresas, ONGs, instituições, governos e cidadãos podem comprar créditos de terceiros para compensar suas emissões de carbono. Essas trocas só não contam para o cumprimento das metas de um país ou, nos termos técnicos, a sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).


VCM e blockchain

Startups para explorar o mercado voluntário, aqui e no mundo, proliferam, destacando-se o fato de apostarem na blockchain para suportar seus negócios de descarbonização. Para ficarmos entre as brasileiras, podemos citar a Moss (https://moss.earth/pt-br/), Epioneers (https://selva.epioneer.io/) e Mombak (https://mombak.com.br/). A blockchain também está no centro de outra iniciativa, anunciada no final de outubro pela International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial, em parceria com as empresas Aspiration, Cultivo e Chia. Consiste em comercializar créditos de carbono transformando-os em tokens criptográficos (criptocarbono).


Bancos privados e grandes empresas somam-se entre os adeptos, como o Itaú, Santander, Rabobank, Suzano, Vale e Marfrig que, durante a COP27, anunciaram querer regenerar uma área equivalente ao estado do Rio de Janeiro. Fundos se multiplicam e até países atuam ou preparam-se para atuar nele.


Entre os africanos, a Nigéria anuncia um VCM, cujo potencial deverá vir do setor comercial e de aparelhos domésticos limpos. Entre os insulares, as Seychelles foram um dos primeiros países que conseguiram renegociar sua dívida externa em troca da proteção da natureza e, agora, adota um programa inovador de créditos de carbono oceânicos (5). Na Ásia, Cingapura quer se posicionar como um dos principais centros comerciais e de serviços de carbono. “Os créditos de carbono fornecem um caminho de descarbonização para setores de difícil redução e representam uma oportunidade para apoiar as reduções de emissões globalmente”, justifica a sua agência governamental do país (6).


Cingapura informa estar avançando também na pesquisa de uma área ainda mais abrangente, que são as soluções baseadas na natureza (NBS, do inglês). Uma semana antes do início da Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP15 CBD), que será realizada em Montreal, Canadá, de 7 a 19 de dezembro (7), o relatório da ONU intitulado “Estado das Finanças para a Natureza” aponta a necessidade de aumentar os investimentos atuais, de US$ 384 bilhões por ano até 2025 para US$ 674 bilhões até 2050, se quisermos lidar com as crises globais de mudança climática, perda de biodiversidade e degradação da terra (8).

Diante desse quadro, vem a pergunta: será que esses valores tão altos serão realmente necessários se os países entenderem de fato que o “ambiente e a economia são inseparáveis”, como lembrou Flavien Joubert, ministro do Meio Ambiente do arquipélago das Seychelles, em entrevista ao Reset durante a COP27?


Saiba mais via as referências, abaixo:


(2) - Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) não emitida gera um crédito de carbono

(3) – “Glasgow regulou as trocas de carbono. E agora?" https://www.capitalreset.com/glasgow-regulou-as-trocas-de-carbono-e-agora/


Crédito da imagem: Matthew Montrone by Pexels


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