O desafio de preservar a água. E tratá-la para garantir o futuro

Atualizado: Jun 3



Nesta Semana do Meio Ambiente 2021, é preciso destacar um dos recursos naturais que merece mais atenção, a água. Que hoje enfrenta ameaças por demandas competitivas, poluição que deteriora sua qualidade, queda crônica de investimentos e impactos das mudanças climáticas, em todo o planeta. Para se ter a ideia da dimensão do problema, pesquisa global da Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, revela que a água não tratada mata mais pessoas (780 mil em média por ano) do que desastres naturais (63 mil) e conflitos (75 mil). Sem tratar a água de forma correta, aumenta-se, por exemplo, a chamada resistência antimicrobiana (AMR na sigla em inglês), que pode causar milhares de mortes por ano.


Alerta lançado pelo Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos revela que, já em 2025, aproximadamente 3 bilhões de pessoas sofrerão com escassez e dificuldade de acesso à água, principalmente por causa de poluição e contaminação por patógenos (organismos capazes de causar doença em um hospedeiro) dos corpos hídricos. E até o ano de 2050, ainda segundo a ONU, quase 5 bilhões de pessoas terão acesso limitado a esse recurso.


Quais são as causas que comprometem a disponibilidade de água potável? A lista é grande, destacando-se crescimento populacional, poluição, desmatamento, mudança do curso natural dos rios, desperdício, impermeabilização do solo que reduz infiltração e aumenta o escoamento (causando assoreamento de rios, lagos e córregos) e mudanças climáticas.

A gestão da água também enfrenta enormes desafios. Mesmo com cerca de 30% das terras do planeta ainda com cobertura florestal, pelo menos dois terços dessa área enfrentam degradação Isso por causa do aumento das taxas de evaporação, da redução da capacidade de armazenamento de águas subterrâneas e da ampliação do escoamento superficial, acompanhado pelo crescimento da erosão.


A importância das SbNs


Uma das opções para superar esse problema se chama Soluções baseadas na Natureza (SbN), que aproveitam, conservam e recuperam os ecossistemas naturais e têm papel fundamental na questão da água. As SbNs, que estão recebendo grande destaque inclusive no Brasil por várias organizações que atuam pelo desenvolvimento sustentável, proporcionam o fornecimento de recursos hídricos por meio da gestão da precipitação, da umidade e do armazenamento, infiltração e transporte de água. Assim, se consegue desenvolver melhorias na distribuição em termos de espaço, tempo e quantidade da água disponível para as necessidades humanas.


No Brasil, onde todos os anos se perdem quase 40% da água potável por causa de ineficiência de distribuição (com vazamentos, roubos e fraudes), a situação é preocupante, pois 35 milhões de pessoas não têm abastecimento de água e falta coleta de esgotos para 100 milhões. Segundo calculou recente estudo do Instituto Trata Brasil e da Ex Ante Consultoria, o tempo necessário para garantir que cada brasileiro tenha água potável na sua torneira não é até 2030, segundo meta estabelecida pela ONU, mas até 2040.

Isso porque seriam necessários 4,337 bilhões de metros cúbicos de água a mais do que o país conseguiu entregar em 2017 (segundo revela pesquisa mais recente). O que equivale à soma de todo o consumo dos estados de São Paulo e Minas Gerais no mesmo ano. E mais: considerando haver 2,693 bilhões de m³ de desperdícios de água, a demanda aumentaria em 70,5%, se comparada ao número de 2017.


Como se vê, o tratamento e a preservação dos recursos naturais da água merecem ações imediatas.


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Paulo Eduardo Nogueira é jornalista formado Master em Jornalismo, autor do livro "Paulo Francis - Polemista Profissional" e editor do blog da Comunidade da Inovação

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