• Paulo Eduardo Nogueira

Como tornar inteligentes as cidades

Atualizado: 25 de Ago de 2019

Até 2025 (ou seja, logo ali) as chamadas cidades inteligentes serão capazes de gerar faturamentos globais de até 238 bilhões de dólares, aumentando em 18,9% a Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR, na sigla em inglês) nesse período, segundo calcula recente estudo da consultoria Grand View Research. Utilizando avanços tecnológicos para ampliar e melhorar serviços e aplicativos, as smart cities poderão assim atender às demandas cada vez mais crescentes de inovações para adaptar ambientes urbanos ao novo fluxo de pessoas que, por volta de 2050, atrairá 70% da população do planeta a morar em cidades.


Eficiência na mobilidade, prédios e lares com tecnologias melhoradas, utilização inteligente de energia e melhores sistemas administrativos serão alguns dos desafios a ser enfrentados para se atingir esse objetivo. O crescimento industrial, por exemplo, requererá a adoção de novas tecnologias que complementem métodos de gestão de uma cidade. Mas essa expansão não será inevitavelmente rápida: altos índices iniciais de investimento, necessidade de consolidação de diferentes departamentos ou setores e falta de abordagem mais sistêmica podem retardá-la.


Estudo da Universidade de Rutgers, de Nova Jérsei, também alerta para as dificuldades de se criar uma cidade inteligente. Sua infraestrutura, por exemplo, deve estar absolutamente integrada, sendo necessário conectar entre si serviços inteligentes de transporte (como veículos autônomos), internet, sistemas de comunicação e fornecimento de água e energia. Isso requer, entre outras coisas, significativo avanço nos sistemas computacionais para processar grande quantidade de dados não tratados (raw data), isto é, ainda carentes de análise e gestão.


Além disso, será necessário criar múltiplos sistemas redundantes de dados (os backups) para enfrentar possíveis colapsos causados por fatores naturais (como terremotos e furacões) ou ataques de hackers. Afinal, quanto mais conectada, mais vulnerável fica uma cidade inteligente. O estudo destaca ainda um fator interessante: além do avanço tecnológico, a psicologia também exercerá importante papel nas cidades do futuro. Será necessário convencer as pessoas sobre as vantagens de adotar essas novas tecnologias, mostrando seus benefícios para a melhoria da qualidade de vida.


Ou seja, por mais exaltada que seja a tecnologia, a gestão humana continua fundamental e decisiva. Meredith Broussard, professora e desenvolvedora de softwares, até alertou em seu livro Inteligência Artificial: Como Computadores Não Compreendem o Mundo sobre os perigos do que batizou de “tecnochauvinismo”, a crença de que a tecnologia ofereceria soluções para todas as questões. Meredith considera que o entusiasmo coletivo pela adoção da tecnologia digital em todos os aspectos da vida resultou em muitos sistemas mal projetados, entre outros problemas. Por isso, admitir e entender os limites do que podemos fazer com a tecnologia será essencial para garantir um futuro melhor a todas as pessoas e não apenas para quem pretende lucrar com ela.

Arek Socha by Pixabay

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