COP26 enfrenta desafios para limitar a temperatura a 1,5°C



A poucos dias de sua realização, marcada entre 31 de outubro e 12 de novembro em Glasgow, na Escócia, os olhos do planeta se voltam para a 26ª. Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (mas pode abreviá-la para COP26...), da qual participarão nada menos do que 197 países. Dada a sua atual importância para salvar o meio ambiente, diariamente proliferam notícias e comentários pela imprensa, inclusive no Brasil. Adiado no ano passado por causa da pandemia de coronavírus, o evento reunirá desde autoridades, ministros e especialistas até empresários, ativistas do clima e interessados em soluções efetivas.


As metas da COP26 não são modestas: querem limitar o aumento do aquecimento para 1,5ºC para evitar ondas extremas de calor (que já começariam a partir de 2ºC a mais), estabelecer um prazo concreto para acabar com o uso do carvão, financiar com pelo menos 100 bilhões de dólares países mais pobres para reduzir emissões de combustíveis fósseis, preservar as florestas que removem carbono da atmosfera e reduzir emissões de metano, entre outros temas. Se vai conseguir tudo isso, é outra coisa.


Basta avaliar o Acordo de Paris, assinado na COP21, em 2015, que já estabelecia a meta para controlar o aumento de temperatura em até 1,5ºC, mas não incluía detalhes de como isso seria alcançado, o que até agora, passados seis anos, ainda está por ser feito, apesar das COPs subsequentes.


E um estudo divulgado em agosto pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) alertou sobre a ameaça de se atingir o limite de 1,5ºC já em 2030, ou seja, uma década antes do previsto, gerando desastres naturais catastróficos.


Presença brasileira


A delegação do Brasil participará da COP26 de várias maneiras, indo de representantes do Ministério da Agricultura, que pretendem reverter problemas de imagem por causa do número crescente de desmatamento ilegal (conseguirão?), até cinco startups brasileiras que vão apresentar soluções para o clima.


A redução da emissão de gases de efeito-estufa também estará na ordem do dia. O Brasil se comprometeu a reduzi-la em 43% até 2030 pelo Acordo de Paris, mas não ficou explicitado o planejamento de ações para atingir essa meta, o que deixa dúvidas sobre seu sucesso. Do total de emissões brasileiras, a agropecuária lança 28% na atmosfera e outros 44% vêm das mudanças de uso da terra, sobretudo por desmatamento.


Propostas e recomendações não faltam à delegação brasileira que estará em Glasgow. A Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, composta por mais de 300 organizações, por exemplo, lançou um longo estudo propondo a adoção de cinco pontos: manutenção da cobertura vegetal nativa e reflorestamento; descarbonização das emissões; valorizações dos ecossistemas; financiamento internacional para mitigação de mudanças climáticas; e garantia de recursos e tecnologia para as nações em desenvolvimento.


Metas elogiáveis não faltam, mas a COP26 conseguirá atingi-las? O próprio estudo da Coalizão Brasil, por exemplo, coloca dúvidas, argumentando ser difícil obter consensos em discussões mais complexas, como a regulação dos mercados de carbono. Afinal, são 197 países com diferentes graus de desenvolvimento. O problema é que se não houver decisões importantes, um desastre global será inevitável.


Imagem: Peter Linforth by Pixabay

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